Fibromialgia e Hipopressivos: Mover para Melhorar
"Um treino consciente, respeitoso e adaptado pode fazer toda a diferença."

Se tens fibromialgia, ou acompanhas alguém que vive com esta condição, provavelmente já ouviste frases como "mas não dá para ver nada" ou "devias era fazer mais exercício".
A fibromialgia é uma das condições crónicas mais incompreendidas — e, ao mesmo tempo, uma das que mais condiciona a qualidade de vida de quem a experiencia.
O que muitas mulheres ainda não sabem é que existe uma abordagem de movimento que, além de segura, pode ser profundamente transformadora: os hipopressivos.
"Um treino consciente, respeitoso e adaptado pode fazer toda a diferença."
O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma condição crónica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga persistente e alterações do sono. Afeta maioritariamente mulheres e acredita-se que envolve uma sensibilização do sistema nervoso central, que passa a processar os sinais de dor de forma amplificada.
Para além da dor, os sintomas mais comuns incluem:
- Fadiga intensa que não melhora com o descanso
- Alterações do sono — dificuldade em adormecer ou manter um sono reparador
- Nevoeiro mental (dificuldade de concentração e memória)
- Rigidez muscular, especialmente de manhã
- Ansiedade e depressão associadas à dor crónica
As causas ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores genéticos, stress emocional ou físico, desequilíbrios hormonais e infecções ou traumas anteriores podem ter um papel importante.
O que são os hipopressivos?
Os exercícios hipopressivos são uma técnica de baixa pressão que combina posturas específicas, respiração diafragmática e ativação reflexa da musculatura profunda — sem gerar impacto nem sobrecarga no corpo.
Ao contrário do exercício convencional, que muitas vezes não é adequado para quem vive com dor crónica, os hipopressivos trabalham a partir do interior, regulando o sistema nervoso, melhorando a função do core profundo e favorecendo um estado de recuperação ativa.
Como podem ajudar na fibromialgia?
A evidência científica e a experiência clínica mostram que os hipopressivos têm um impacto positivo em várias das principais queixas associadas à fibromialgia:
1. Redução da dor Atuam diretamente sobre o sistema nervoso autónomo, promovendo uma resposta parassimpática (de recuperação e relaxamento). Esta regulação neurovegetativa é fundamental para diminuir a perceção da dor e reduzir a sensibilidade nos pontos dolorosos típicos da fibromialgia.
2. Combate à fadiga Melhoram a eficiência respiratória e a circulação, o que se traduz numa maior disponibilidade de energia ao longo do dia e numa redução do cansaço persistente.
3. Melhora do sono A prática regular de hipopressivos, especialmente quando feita de forma consciente e respirada, favorece um estado de calma e repouso reparador, com impacto direto na qualidade do sono.
4. Redução do stress e da ansiedade Ao regular o sistema nervoso e baixar os níveis de cortisol, contribuem para diminuir a tensão muscular e emocional que frequentemente acompanha a fibromialgia.
5. Melhora da mobilidade e da postura Aumentam a flexibilidade articular e melhoram o alinhamento postural de forma progressiva e sem sobrecarga — essencial quando a rigidez matinal é uma queixa frequente.
6. Fortalecimento profundo sem impacto Ativam a musculatura estabilizadora profunda (transverso abdominal, multifidus, pavimento pélvico) sem stress mecânico, o que é fundamental para melhorar a estabilidade e reduzir a dor lombar.
7. Bem-estar global Mais do que um método de treino, os hipopressivos são uma prática de reconexão com o corpo — que tantas vezes se torna um lugar de dor e desconforto. Ao trabalhar a consciência corporal, contribuem para um maior sentido de controlo e bem-estar.
Como começar?
Se tens fibromialgia, o mais importante é começares com supervisão e no teu ritmo. Os hipopressivos não são um método de alta intensidade — são um convite ao movimento consciente, respeitoso e adaptado à tua realidade.
Algumas orientações para começar:
- Começa com sessões curtas (10 a 15 minutos) e observa como o teu corpo responde
- Pratica com regularidade — consistência é mais importante do que intensidade
- Ouve o teu corpo: se algo provoca dor, para e adapta
- Procura orientação de um profissional especializado em reabilitação do core
"Ouve o teu corpo. Respeita-o. Ativa-o."
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